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Música e Poder
Para uma Sociologia da Ausência da Música Portuguesa no Contexto Europeu

António Pinho Vargas  

Almedina ISBN: 9789724044361 2011 33,00 €

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Descrição:

"Portugal foi excluído das concepções hegemónicas da modernidade elaboradas nos países do centro da Europa (Inglaterra, França, Alemanha). Daqui derivam todas as repetidas introduções de práticas artísticas modernas em Portugal. Só se introduz aquilo que, originalmente, está no exterior. As narrativas da generalidade das artes em Portugal são muito semelhantes às narrativas que especificamente tratam a música portuguesa na medida em que, em cada um dos momentos fundadores de modernidade em Portugal, se referem sempre a um exterior no qual a modernidade "estava", do qual a modernidade "vem" - e esse exterior é a Europa, a tal Europa hiper-real.
Para Portugal a Europa é um "Outro" (p. 94).

Esta investigação aponta para dois factores decisivos na produção de uma imagem de ausência da música portuguesa erudita, tanto histórica como actual, na vida musical europeia. O primeiro resulta da formação do cânone musical no século XIX, da sua crescente supremacia durante o século XX e dos dispositivos de poder localizados nos países centrais que regulam e, por isso, excluem, em grande escala, os diversos produtos culturais provenientes das periferias europeias de acordo com os seus interesses e com as suas visões do mundo. Estas exclusões podem assumir as formas discursivas de considerações estéticas ou juízos de valor, proferidas a partir dos locais de enunciação onde se localizam os centros dos cânones, histórico ou contemporâneo, mas resultam principalmente de um grande desinteresse e desconhecimento e por isso, a maior parte das vezes, estas exclusões traduzem-se pelo silêncio.
O segundo factor resulta da incapacidade de instalar uma política ou uma prática de trocas culturais em condições de igualdade por parte dos agentes e responsáveis culturais portugueses que, no essencial, aceitam os mesmos valores, vistos como universais, e actuam em função dos mecanismos de poder que declaram a subalternidade, contribuindo desse modo para a própria inexistência simbólica no interior do país."

António Pinho Vargas

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